sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um sonho de irrealidade


Não te conhecia, e já sabia quem você era.
Te encontrei, e já sabia quem você seria.
Conversamos, e já sabia o que você pensava.
Saímos, e já sabia o que você gostava.
Dançamos, e já sabia como você se movia.
Nos beijamos, e já sabia o que você sentia.
Fizemos amor, e já sabia o que você queria.

Então acordei, e já não sei mais quem sou.

Foto de Miguel Rio Branco, de um ensaio sobre a Vila Mimosa, Rio

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Jornalistas anônimos

Boa noite.
Obrigado por me receberem nesta reunião.
Meu nome é Cesar.
Sou jornalista e há seis meses não consumo notícia.

Meu vício começou cedo.
Aos 10, fui apresentado ao JB.
Tutty, Castelinho, Zózimo.
Oldemário, Evandro e Fritz.

A notícia me pegou cedo.
No rádio de manhã com Haroldo.
Na TV com Leda Hoje, JN de noite...

Daí eu fui fundo neste mundo.
Logo estava lendo O Globo.
De vez em quando, sujava as mãos de azul com um Dia.

E tome Veríssimo, Gaspari, Ancelmo.
Apicius, Millor e Boechat.
Barbara, Dora, Cora e Da-nu-za.



Rapidamente lia cinco jornais por dia.
Consumia Folha. Conheci Simão.
Se o Estadão não chegasse, tinha síndrome de abstinência.
Gazeta Mercantil, Jornal do Comércio e Tribuna!
(Valeu pelo Valor?)

Trabalhar no ramo só piorou a situação.
Passei a correr atrás de furos,
buscar personagens,
ou ao menos uma boa história para contar a meu editor

Mas o fundo do poço foi essa internet.
A compulsão cresceu.
Todos os Times e Posts, Le Monde e Asahis a um clique.

ICQ, Messenger, Twitter.
Clique, clique.
Orkut, Facebook, iPhone.
Clique, clique.

Mas agora estou curado e não consumo mais notícia.
Não tenho e-mail, blog ou iPod,
não participo de redes socias nem tenho celular!

Ah, só mais uma coisa: às vezes eu minto um pouco...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A árvore



Era uma árvore. Mas não como as outras. Era a sua árvore. Cada dia que passava, uma folha caia e outra crescia em seu lugar.

Às vezes caia dourada como o Sol. Em outras vinha cinza de chuva. Ou então rasgada de raiva, amassada de tristeza, verde de esperança, plana de tranquilidade, vermelha de amor, amarela de alegria. Recolhia e as guardava. Um dia, uma folha, e assim a vida seguia.

Até que um dia uma folha caiu, mas outra não cresceu em seu lugar. A princípio nem percebeu. Aos poucos, porém, foi notando os galhos nus e começou a se preocupar. Estará doente? Não a estou tratando bem?

Muito pensou sobre o assunto e neste tempo juntava folhas cinzas e amassadas, escuras e rasgadas. Foi quando percebeu que não importava o número de folhas restantes na árvore, mas a qualidade das que recolhia. Deixou de se preocupar.

Dia após dia passava pela árvore para pegar sua folha. Regozijava-se com as amarelas, admirava as douradas, acalmava-se com as planas, usufruia as vermelhas.

Até que um dia a última folha caiu. Levou-a para junto das outras e parou para admirá-las. Quantas folhas tinha acumulado! E tantas tão douradas, muitas amarelas, várias vermelhas. Observou que mesmo as cinzas tinham sua beleza, as amassadas sua valia, as rasgadas sua razão...

Morreu feliz.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Frases e paráfrases

"O que importa é o que acontece entre a São José e o São João"

"Gostava tanto que desgostei"

"Ficou na dúvida e acabou na certeza"

"É legal até quando deixa de ser"

"Sou uma pessoa fácil: é só fazer do meu jeito"

"Nunca soube o que dizer. Agora falo sem parar"

"Nem sempre o que te faz mal é o melhor para você"

"O problema é que não penso demais"

"Sempre tive coragem, mas nunca quis fazer"

"Tenho um ótimo ouvido, mas uma péssima boca"

"Tudo é uma questão de 'taimintendendo'"

"Eu sabia, mas não esperava..."

"Quem espera, espera melhor sentado"

"O mau caminho é sempre o mais direto"

"Trocava tudo para não mudar nada"

"Não era um diálogo, mas um monólogo a dois"

"Se melhorar, estraga"

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Problema seu/Problema meu

Problema seu!

Não,
O problema não sou eu. O problema é seu!

Se preferes superficialidade,
o problema é seu!

Se preferes a frieza,
o problema é seu!

Se preferes a falta de carinho,
o problema é seu!

Se preferes o mau caminho,
o problema é seu!

Se preferes a incerteza,
o problema é seu!

Se preferes a falsidade,
o problema é seu!

Problema meu!

Não,
O problema não é seu. O problema sou eu!

Se quero alimentar ilusões,
o problema é meu!

Se me encanta uma sereia,
o problema é meu!

Se vivo de fantasias,
o problema é meu!

Se a mim falta alegrias,
o problema é meu!

Se acho a vida feia,
o problema é meu!

Se me perco em confusões,
o problema é meu!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Auto-ajuda

"To everything there is a season,
And a time for every purpose under heaven

A time to build up, a time to break down
A time to dance, a time to mourn
A time to cast away stones
A time to gather stones together" - The Byrds




Seu copo está meio cheio ou meio vazio? Perspectiva e atitude é que fazem a diferença.
Sei, todos temos nossos momentos "pra cima" e "pra baixo", mas a questão é como lidamos com eles. Desejar, sofrer, conquistar, perder fazem parte do jogo. Se quem eu quero não me quer, outra pessoa há de querer. O oceano é grande e o peixinhos são muitos e variados.
O que é preciso aprender é que só podemos controlar e mudar o que se passa dentro de nós. O sentimento ou reação do outro não estão ao nosso alcance. Apenas seja inteiro, seja verdadeiro, seja sincero e honesto consigo mesmo. O resto é consequência.

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim" - Carlos Drummond de Andrade


Mais uma vez, a imagem inspiradora, poesia em forma de quadrinhos, vem dos gêmeos
Fábio Moon e Gabriel Bá. Insisto: vai lá!

domingo, 30 de agosto de 2009

Confessionário

"Le choix initial en amour n'est pas réellement permis dans la mesure même où il tend exceptionnellement à s'imposer, il se produit dans une atmosphère de non-choix" - André Breton

"L'essentiel est à mes yeux ceci: aimer un être n'est pas le tenir pour merveilleux, c'est le tenir pour nécessaire" - André Malraux



Eu preciso dizer que te amo...
Bem, eu já disse!
Continuo a te desejar?
E como!
Tenho ciúmes?
Não sei porque!
Quero te esquecer?
Não dá!
Porque você não olha pra mim?
Eu uso óculos...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Conversa de táxi

Quatro da manhã. Marina e Paula tomam um táxi de volta para a Zona Oeste depois de mais uma noite de bom papo, muita champa e saideira no Jobi, claro.... Nos longos quilômetros da viagem, a conversa continua a girar sobre um tema que agitou o fim da noitada: o que fariam se ganhassem a bolada da Mega-Sena acumulada daquela semana?

- Nossa, é muito dinheiro! Não preciso de tanto. Ajudaria os amigos... – diz Marina.

- Boa medida. Não se esqueça de mim! Estou louca para fazer aquele curso na Califórnia – lembra Paula.

- Mas e se fosse você que ganhasse, o que faria?

- Claro que não vou te esquecer também, amiga! Fora isso, acho que passava um ano na esbórnia!

- Um ano, só?! Com tanta grana, acho que passava uns três anos na esbórnia!

- É mesmo, um ano pode ser pouco, principalmente para garotas que gostam de agito como nós...

- Pois é. Champa, bons restaurantes e companhia da melhor qualidade...

Já na Barra, Paula é a primeira a saltar. Logo depois que ela sai, o motorista, que até então se mantinha calado, não resiste:

- Madame, desculpe me intrometer na conversa, mas posso te perguntar uma coisa? Estou com uma curiosidade que está me matando...

- Sim...

- Onde fica essa tal de esbórnia?

Marina duvida de si mesma. “Bebi demais ou ele perguntou isso mesmo que estou pensando?”. Depois de longos segundos de hesitação, ela encontra resposta:

- Não, amigo, você não entendeu... Esbórnia não é um lugar, é um, é um, um estado de espírito!

- Ah não, madame, não fala desse negócio de espírito comigo não que sou evangélico...

- Não! Deixa eu explicar de novo. É assim como um sentimento, fazer as coisas, como estamos fazendo agora...

- O quê? Pegar um táxi às 4 da manhã?

“Ai meu Deus!”, pensou Marina, já quase ficando sóbria diante de tamanha confusão.

- Nada disso, deixa eu explicar de novo. Esbórnia é assim... viver de bem com a vida, sem preocupações, sem responsabilidades, sem precisar trabalhar, sem ter que dar satisfação para ninguém. Entendeu?

- Ah, tá, entendi. Mas onde que fica a esbórnia mesmo? Do jeito que vocês falam, deve ser legal. Bem que gostaria de passear por lá...

Mais um textinho meu em colaboração para o blog da amiga Claudinha, Vim ao mundo a passeio

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Dream a little dream of you

Oi, hoje sonhei com você!
Não sei por quê,
Não te vejo há tanto tempo...
Ah, é isso:
A saudade está batendo.
Quando se gosta de alguém,
Distância
Não é esquecimento.

domingo, 26 de julho de 2009

'Dinstâncias'

Menos longe
Mais perto

Dorme o sono
Sonha certo

Menos perto
Mais longe

Outra noite
Cai do bonde

Longe menos
Perto mais

Dá-me um beijo
Não volta atrás

Longe mais
Perto menos

Troca a bola
Perde o senso

Mais perto
Menos longe

Joga a vida
Faz por onde

Mais longe
Menos perto

Ganha tempo
Fica esperto

Longe perto
Menos mais

Chega junto
Tu és demais
 
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