Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
...
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."
(Trechos de "Definitivo" - Carlos Drummond de Andrade)

Nada muda, ninguém se transforma, por mais que tente. Dias, semanas, meses, anos se passam no processo, porém não é o virar de uma folha de calendário que vai fazer a diferença. Quando a inadequação é o nome e o desejo é o verbo, a decepção invariavelmente surge como o predicado. Será que a questão é reformular esta sentença? Troque seu sujeito, mude seu verbo que o predicado será outro?
Mas como fazer isso quando a mente grita, o coração late e a vontade é incontrolável? Enquanto isso, encantos vão deixando o coração em frangalhos. E os dias, semanas, meses, anos continuam a passar e só resta absorver e digerir cada história.
Nesses períodos, penso se não seria melhor desistir de tudo, retirar-me para uma montanha e virar um ermitão. Ou então me transformar num canalha insensível que não se importa com nada, arrancar o coração do peito e colocá-lo num freezer. Assim, quando tiver uma recaída, bastará abrir a porta e ver aquilo tudo despedaçado para voltar ao bom senso.
Olha os gêmeos aí de novo ilustrando o post. Não sabe quem? Veja aqui!